quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

A era das epidemias pode estar só no início, diz virologista francês

Mais de 70% das epidemias e pandemias têm origem em zoonoses, ou seja, são vírus transmitidos ao homem por animais

Coronavírus na cidade do Rio de Janeiro

A covid-19 mostrou o despreparo das autoridades mundiais para gerenciar pandemias e a necessidade de uma coordenação global para enfrentar esse tipo de ameaça. Há cerca de um ano, o mundo luta contra o SARS-CoV-2 que, até agora, vem vencendo a batalha apesar da chegada de vacinas eficazes para combatê-lo. Protecionismo, medidas diferentes entre nações, estratégias diversas de distribuição das imunizações e outras dificuldades mostram que vencer uma epidemia é uma questão mais política e econômica do que de saúde pública.

Como enfrentar essa situação e, principalmente, como enxergar uma luz no fim do túnel diante do contexto atual?

A RFI Brasil conversou com exclusividade com o virologista Christian Brechot, professor de Medicina da Universidade da Flórida, ex-diretor do Inserm (Instituto Nacional francês de Saúde e Pesquisa Médica) e do Instituto Pasteur.

Segundo ele, é preciso entender que 70% das epidemias e pandemias são zoonoses, ou seja, vírus transmitidos por animais. O papel do homem na transformação da natureza, diz, tem influência direta no aparecimento da covid-19 e de outras doenças.

“Infelizmente, a evolução dos últimos 30 anos favoreceu essa transmissão, por conta da urbanização, do desmatamento, da migração humana e do aquecimento global. Então é provável, não certo, porque é difícil de prever, mas é provável que tenhamos outras epidemias do tipo”, diz. Ele explica que há pelo menos quatro cepas de coronavírus observadas em morcegos com potencial de transmissão para o homem nos próximos anos. Dos sete coronavírus que contaminam humanos, quatro são benignos e provocam resfriados comuns. Os outros são o SARS-Cov-1, o MERS e agora o novo SAR-Cov-2.

O virologista lembra que pelo menos cinco deles apareceram nos últimos 20 anos. “Temos a impressão de que houve uma aceleração da transmissão de animais para humanos, que é favorecida pela modificação do ecossistema pelo homem”, reitera.

A transformação da natureza, desta forma, torna mais fácil a emergência de novas epidemias e o mundo se viu despreparado diante da chegada do SARS-Cov-2. Mas também houve progresso na gestão de epidemias, a exemplo do HIV, do SARS-Cov-1 e do Ebola em em 2014 e 2015, lembra o pesquisador. “Houve verdadeiros progressos feitos em termos de redes e estruturas, para responder a essas epidemias com regulamentos internacionais”, analisa.

Ele cita, por exemplo, a criação, em 2016, da CEPI (The Coalition for Epidemic Preparedness Innovations). Trata-se de uma aliança para financiar e coordenar vacinas para prevenir e controlar doenças que se tornam epidêmicas. A ideia é preparar estoques com antecedência e poder reagir rapidamente em caso de epidemia.

Por que então a Covid-19 se propagou dessa maneira? “Penso que o controle de uma pandemia passa pela vacina, por novos tratamentos, mas também pela capacidade de usar melhor os progresso tecnológicos que foram feitos na área diagnóstica”, , diz o cientista francês

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