quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Comentário do dia - De "rachadinha" a dinheiro na cueca

Habituado a um clima político muito menos acalorado que a Câmara, o Senado encerra 2020 assombrado por turbulências e incertezas quanto ao futuro de alguns de seus 81 congressistas.

No ano que vem, o Conselho de Ética da Casa deve analisar uma série de representações que aguardam análise. Até o mês de passado, mais de dez estavam na fila.

Uma delas diz respeito ao filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O parlamentar é investigado pelo caso Queiroz, escândalo que tem como pivô o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador à época em ela era deputado estadual no Rio (até 2018).

O pedido de cassação do mandato de Flávio chegou a repercutir em 2020, mas acabou estacionado no Conselho de Ética em razão da paralisação dos trabalhos presenciais devido à pandemia do coronavírus.

Rodrigues flagrado com dinheiro na cueca

Ao longo de 2020, a temperatura no Parlamento também foi elevada por episódios como o do "dinheiro na cueca" de Chico Rodrigues (DEM-RR), então um dos vice-líderes do governo no Senado.

O senador foi alvo de uma operação da Polícia Federal em outubro, em Boa Vista, onde mora com a família, para apurar desvios de recursos destinados ao combate da pandemia de covid-19.

Na ocasião, os agentes da PF flagraram o congressista com R$ 30 mil escondidos dentro da roupa íntima, sendo parte entre as nádegas. Ao todo, a polícia encontrou cerca de R$ 100 mil na casa dele. Ele nega ilegalidade na origem do dinheiro.

Irajá é acusado de estupro por modelo

No mês passado, o senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO) foi acusado de ter estuprado uma modelo de 22 anos. Segundo o relato dela à polícia, o crime aconteceu em um hotel no Itaim Bibi, bairro de classe alta na capital paulista, após se conhecerem em um almoço e terem ido a um show.

Durante a noite, segundo a jovem, ela perdeu a consciência e acordou em um flat. De acordo com amigos da modelo, ela afirmou que acordou durante o ato sexual forçado e ouviu Irajá dizendo: "Você é minha" e "Estou apaixonado". O caso é investigado pelas autoridades competentes.

Irajá é filho da também senadora Kátia Abreu (PP-TO). Ele alega "total e plena inocência" e afirmou que lamenta "ter sido envolvido nesse enredo calunioso e difamatório".

Com fala de combate à corrupção, Selma é cassada

Conhecida como a "Moro de saias" pelo discurso de combate à corrupção e por ter sido juíza, Selma Arruda (Podemos-MT) se viu fora do Senado em abril após ser cassada sob acusação de abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha eleitoral de 2018.

Selma foi cassada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em dezembro do ano passado, mas a Mesa Diretora do Senado só confirmou a decisão em abril.

Enquanto tentava salvar sua vaga no Senado, ela se dizia perseguida politicamente e afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), queria sua cassação para se reeleger no cargo. Isso porque seu substituto de Mato Grosso, Carlos Fávaro, é do PSD, que apoia Alcolumbre.

Após ficar como interino, Fávaro venceu a eleição convocada para substituir Selma e continuará no Senado até janeiro de 2027.

Amorim Sangue Novo com UOL >>>

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